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1) Por que foi fundada a ICBA? Esta igreja descende de alguma outra igreja adventista?

Resposta: A Igreja Cristã Bíblica Adventista quando foi fundada em 2001 era composta em sua maioria por irmãos que tinham sido membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Estes irmãos foram excluídos da IASD porque recusavam-se a apoiar a filosofia do sistema administrativo e financeiro daquela organização. Podemos citar aqui alguns aspectos desta filosofia que nossos irmãos não apoiavam:

a) Centralização dos recursos financeiros - A organização adventista, através de suas Associações e Missões, centralizava os recursos financeiros provenientes do dízimo dos membros. Esta centralização gerava (e ainda gera) uma corporação forte com igrejas locais fracas.

b) Estrutura Administrativa Pesada - Numa época em que as estruturas administrativas de várias organizações foram obrigadas a sofrer um enxugamento, todos os diversos níveis da estrutura administrativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia permanecem tirando o seu sustento das igrejas locais. Associações, Missões, Uniões, Divisões e Associação Geral têm milhões e milhões de dólares de despesas com imóveis, manutenção dos escritórios, pagamento de funcionários e despesas com viagens de administradores e estadias em hotéis. Quem paga esta conta? O dízimo arrecadado na igreja local que, muitas vezes, não tem recursos para comprar um material de evangelismo infantil ou fazer uma pequena reforma no prédio da igreja.

c) Foco na Instituição em detrimento do evangelismo através da igreja local - Pouca ou nenhuma utilização do dízimo arrecadado nas igrejas é finalmente usado no evangelismo direto.

d) Falta de Assistência Pastoral - Como muito dinheiro é utilizado na manutenção da administração, sobra pouco dinheiro para o pagamento de pastores. A "solução" é comissionar um pastor para cuidar de várias igrejas. Isto gera uma série de problemas que vão desde sobrecarga da liderança leiga (anciãos e diretores de departamentos) até a insatisfação dos membros com o trabalho pastoral (visitação deficiente, ministério missionário inexistente, presença e participação em poucas programações da igreja)

e) Inexistência de Transparência Financeira - Os fundadores da ICBA, quando eram membros da IASD, por duas vezes solicitaram à administração da IASD relatórios detalhados de prestação de contas, de entrada e saída dos recursos provenientes dos dízimo. Tais relatórios jamais foram apresentados.

f) Auditorias na contra-mão - As auditorias na Igreja Adventista do Sétimo Dia aconteciam (e ainda acontecem) na ordem inversa: Os recebedores dos recursos auditam os geradores. Desta forma a Associação Geral através das Divisões audita as Uniões e estas auditam as Associações e Missões. Estas, por sua vez, auditam as igrejas. Surpreendentemente, os geradores dos recursos não auditam aqueles que o recebem. 

Diante desta situação muitos membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia decidiram não ser coniventes e participantes desta filosofia incompatível com a ordem evangélica. O que fizeram? Passaram a agir como mordomos fiéis aplicando os recursos que Deus lhes confiou, sem utilização de intermediários, diretamente na obra do Senhor.

Uma nova ordem missionária foi estabelecida. Obreiros foram colocados no campo e muito material evangelístico foi adquirido e distribuído. Como consequência houve um despertamento missionário na igreja e muitos batismos. Isso chamou a atenção da administração da Igreja Adventista do Sétimo Dia que começou a perseguir e punir os que apoiavam a filosofia da descentralização dos recursos financeiros.

Muitos destes irmãos, sofrendo difamação pública, disciplina eclesiástica e até graves ameaças, ficaram, portanto, impedidos de trabalhar normalmente dentro da igreja. Decidiram, então, reunir-se numa casa assim como os cristãos primitivos. A quantidade de irmãos cresceu a tal ponto que foi necessário construir uma igreja para abrigá-los.

Hoje a ICBA funciona com um sistema administrativo completamente diferente daquele estabelecido na Igreja Adventista do Sétimo Dia. A ICBA mantém algumas linhas básicas:

a) Descentralização - Não existe centralização dos recursos e do poder numa entidade que legisla e julga sobre as igrejas locais. A igreja é soberana para decidir o destino de todos os recursos financeiros que são ofertados. O foco é evangelismo e não a manutenção de uma enorme e dispendiosa estrutura administrativa.

b) Os administradores e líderes da ICBA não recebem qualquer remuneração -  Todo trabalho administrativo é voluntário. Portanto não existe a distinção entre clero e leigo. Tal filosofia está alinhada com o princípio do sacerdócio universal de todos os crentes.

c) Transparência financeira - Mensalmente os colaboradores recebem uma planilha contendo um relatório detalhado de todas as entradas e saídas de recursos. Desta forma os membros da igreja podem acompanhar de perto como cada centavo arrecadado está sendo utilizado.

d) A Igreja Cristã Bíblica Adventista não trabalha com o sistema de Dízimo - Cada membro dá a quantia que propuser em seu coração. Deve dar com alegria, não por obrigação. Entendemos que a lei do dízimo exposta no Velho Testamento estava associada ao sacerdócio levítico e tal sistema não vigora em nossos dias. Falando sobre esta lei do dízimo associada ao sistema sacerdotal levítico, Hebreus 7:12 afirma que "mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei."


2) Na ICBA existe a disciplina eclesiástica assim como na IASD?

Resposta: As diferenças de caráter administrativo não estão limitadas à parte financeira como mencionadas acima, mas atingem outras áreas como, por exemplo, o trato com o ser humano durante um processo de disciplina eclesiástica. Aqui a diferença é marcante: Na ICBA, a um membro que tiver que se submeter a um processo de disciplina eclesiástica é dado todo direito de defesa diante da igreja e em nenhum momento lhe é solicitado que se retire para que outros membros possam fazer comentários "pelas costas". Se alguém tiver algo a dizer a respeito do irmão cujo caso está sendo analisado, deverá fazê-lo na sua presença de modo que este tenha a oportunidade de defender-se (pois como poderia ter direito à ampla defesa se foi obrigado a retirar-se e não tem condições de ouvir o que se fala dele?)

Caso a igreja decida que um membro deva passar por um período de disciplina eclesiástica a proposta de tratamento de um membro nestas condições não é no sentido de isolá-lo da obra de Deus e dos ministérios da igreja, impedindo-o de trabalhar para o Senhor. A proposta é envolvê-lo com tarefas aparentemente simples, mas que propiciem o seu erguimento espiritual. Embora um membro sob disciplina não assuma cargos de liderança, a proposta é envolvê-lo em atividades de assistência social e trabalho em favor do ser humano. Nós temos em mente que após trair o Mestre três vezes Pedro recebeu a incumbência de pastorear as ovelhas. Esta foi a "disciplina" que o Senhor Jesus deu a Pedro: trabalho. Disciplina não significa punição, significa aprendizado. O trabalho nos ensina e nos fortalece. O que um membro sob disciplina eclesiástica necessita é aprender e se fortalecer, por isso faz todo sentido envolvê-lo no trabalho. Quando há arrependimento a disciplina eclesiástica não deve consistir em submeter o indivíduo ao ócio ministerial, mas erguê-lo dentro da comunidade tornando-o uma pessoa útil de modo que ele se sinta valorizado e não discriminado.

Se na ICBA o trato com o dinheiro é levado a sério, o trato com o ser humano é levado muito mais a sério, pois o dinheiro não é a causa da nossa existência (já que somos todos voluntários). A razão da existência do nosso ministério são os pecadores que precisam de salvação. O foco da ICBA não é na denominação, nos prédios, na estrutura administrativa, no dízimo, nos cargos e status eclesiásticos. Nosso foco está nas pessoas.


3) Além das diferenças na filosofia administrativa da ICBA há alguma diferença doutrinária em relação à IASD?

Resposta: Sim. A diferença doutrinária mais marcante entre a ICBA e a IASD está relacionada à doutrina da Trindade. A ICBA é uma igreja não-trinitariana. Isto significa que não acreditamos na doutrina da Trindade. Entendemos que os patriarcas e profetas do Velho Testamento não transmitiram esta doutrina em seus escritos. Jesus Cristo e seus apóstolos também não eram trinitarianos e por isso em nenhum momento afirmaram que Deus é um conjunto de três pessoas co-iguais e co-substanciais. Na ICBA cremos que existe apenas um Deus e este único Deus não é uma entidade coletiva, mas é um ser pessoal. Este único Deus é o Pai (ver João 17:3 e I Coríntios 8:6). Cremos que Jesus Cristo é o Filho de Deus, gerado do Pai. Cremos que o Espírito Santo é o próprio Espírito de Deus e não uma pessoa distinta do Pai e do Seu Filho. O Espírito Santo é um atributo de Deus que Ele concede aos Seus filhos. Para uma compreensão mais ampla desta questão sugerimos a leitura do livro "Eu e o Pai Somos Um" cuja versão digital está disponível gratuitamente neste site. (Clique aqui para fazer o download da versão PDF do livro / Clique aqui para saber como adquirir a versão impressa do livro)

Outras diferenças doutrinárias com a IASD estão relacionadas ao ministério de intercessão realizado por Jesus Cristo. Não cremos num juízo de investigação iniciado em 22 de Outubro de 1844. Cremos que Cristo, ao ascender aos céus, assentou-se à direita do Pai e iniciou sua obra de intercessão. Entendemos que o caminho do santíssimo foi aberto com a ruptura do véu por ocasião da morte de Jesus (ver Mateus 27:51; Hebreus 10:19 e 20). Seria um exercício muito interessante para os que crêem num juízo investigativo iniciado em 22 de Outubro de 1844  tentar responder às seguintes questões (clique aqui para ver as questões).


4) A ICBA acredita em Ellen White como profetiza de Deus?

Na Igreja Adventista do Sétimo Dia Ellen White é considerada uma profetiza 100% inspirada. Na ICBA, no entanto, isso não ocorre. Apesar de reconhecermos a utilidade de muitos conselhos e comentários de Ellen White, a ICBA não despreza os seguintes fatos que nos impedem de considerar todos os escritos de Ellen White inspirados:

* Muitos dos seus escritos foram copiados de outros livros sem que ela desse crédito ao autor
* Muitos ensinos de Ellen White não têm base bíblica

Logicamente para quem vive dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia tais questões não são expostas pelos líderes denominacionais. Mas os que dedicarem alguns minutos para analisar alguns problemas relacionados com a inspiração profética de Ellen White certamente chegarão a uma conclusão muito semelhante à que nossos irmãos da ICBA chegaram.

Para conhecer um pouco mais dos problemas envolvendo a inspiração de Ellen White, alguns dos seus ensinos sem base bíblica e textos plagiados basta acessar www.ellenwhiteexposed.com/port.

Para os que têm facilidade com a língua inglesa o site www.ellenwhiteexposed.com traz um volume considerável de informação.


5) Eu gostaria de frequentar a Igreja Cristã Bíblica Adventista, mas em minha região não existe nenhuma congregação. Gostaria de iniciar um trabalho em minha cidade para que no futuro exista uma igreja aqui. Como devo proceder?

Resposta: Prezado amigo. Nossa recomendação para todos que estão na mesma situação é que iniciem com cultos numa residência. A Igreja Cristã Primitiva iniciou-se desta maneira. Veja:

"Saudai a Prisca e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus,... Saudai também a igreja que está na casa deles. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Ásia para Cristo." Romanos 16:3 e 5.

"Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia, e a Ninfas e a igreja que está em sua casa." - Colossenses 4:15.

"À nossa irmã Áfia, e a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que está em tua casa." - Filemon 2.

 A Igreja Cristã Bíblica Adventista iniciou seus trabalhos da mesma forma.

Promova em sua residência ou na de algum irmão cultos para estudo da Bíblia e louvor, cultos de ação de graças e com orações intercessórias. As reuniões devem ter como objetivo principal a adoração do Deus verdadeiro e o estudo para a melhor compreensão de Sua Palavra. Estes cultos deverão levar o povo para mais perto de Deus e fazer com que cresça o amor de uns para com os outros.

Um erro comum nesta fase é montar um grupo cujo objetivo principal seja debater doutrinas heréticas e mostrar os erros de outras denominações religiosas. Um grupo fundado neste espírito tem a tendência de se esfacelar após divisões sucessivas.

Na medida em que o grupo for se desenvolvendo, outras áreas de trabalho vão se abrir (assistência social, ministério infantil, trabalhos em favor da comunidade, etc...) Neste momento o grupo poderá começar a pensar numa evolução natural que seria alugar um salão maior ou até mesmo a compra de um terreno e construção de uma igreja.

Logicamente ao longo de todo este processo nossos irmãos da Igreja Cristã Bíblica Adventista irão dar a assistência necessária (orientações, materiais, contatos constantes, suporte financeiro, apoio jurídico dependendo de cada caso e de cada fase de desenvolvimento).

Que Deus te abençoe ricamente em seu propósito apostólico.


6) Gostaria de mais explicações sobre o fato do dízimo ser voluntário. Jesus não reprovou o dízimo e disse que deveríamos fazer a devolução. Também Malaquias diz que roubamos a Deus se não devolvermos o dízimo. Como o dízimo pode ser cerimonial se Abraão devolvia e na època de Abraão não existia os Levitas? E como fica o que diz o Apóstolo Paulo digno é obreiro do seu salário e quem prega o evangelho que viva do evangelho.

O dízimo é uma lei assim como o sacrifício de cordeiros - é uma lei vinculada ao sacerdócio levítico apenas. Com a morte de Cristo a lei dos sacrifícios foi abolida bem como a lei do dízimo.

Jesus apoiou a devolução do dízimo pois viveu sob a lei judaica. Da mesma forma Jesus, ao curar leprosos, pediu para que eles se apresentassem ao sacerdote levita para verificação. Esta verificação da purificação de um leproso também é parte da lei judaica. Jesus foi circuncidado, comemorou a páscoa no templo e observou a lei dos judeus. Mas com sua morte essa lei foi abolida. Portanto o fato de Jesus ter dito que o dízimo deveria ser dado não significa que esta continua sendo uma lei válida para os cristãos. A lei do dízimo foi dada por Moisés e faz parte das leis associadas ao sacerdócio levítico. Na época de Malaquias a lei do dízimo ainda vigorava. É por isso que Malaquias admoesta o povo para que se lembre deste estatuto.

Biblicamente, a lei do dízimo foi dada para Moisés e começou a vigorar a partir do Êxodo. É verdade que Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, mas não por força de lei. Assim como Jacó deu o dízimo, mas não por força de lei (no caso de Jacó o dízimo foi dado por força de um voto que ele fez - veja Gênesis 28:20-22). O fato de Jacó ter feito um voto condicional para dar o dízimo mostra claramente que a prática de dizimar não era lei na época de Abraão e Jacó. Que sentido faria fazer um voto para algo que já é lei?

Sempre que a lei do dízimo aparece na Bíblia está vinculada ao sacerdócio levítico que foi abolido na cruz. A única vez que o dízimo é mencionado na Bíblia no contexto da nova aliança (HEBREUS 7) fica claro que o sacerdócio levítico e as leis vinculadas a ele (explicitamente citado o dízimo) caducaram na cruz.

Com respeito à declaração de Paulo em I Coríntios 9:14, se você observar claramente o contexto desta declaração perceberá que Paulo estava se baseando numa lei mosaica (veja os versos 9 e 13). Mas Paulo deixou claro que ele não usava deste recurso (veja os versos 12 e 15), ou seja, não recebia dinheiro para pregar. Nos versos seguintes Paulo diz que pregava por obrigação diante de Deus, não por remuneração. Assim como Paulo, os outros apóstolos e discípulos da igreja primitiva não recebiam dízimos, mas vez ou outra algum apoio financeiro (coletas especiais) para projetos específicos. Este era o modelo de sustento da obra no primeiro século: ofertas voluntárias. Os apóstolos não eram "profissionais do evangelho" recebendo salário mensal para pregar. A motivação deles era completamente diferente e o método de sustento do evangelho também era diferente.

 

Clique aqui para ler nosso FAQ sobre a filosofia administrativa e financeira da ICBA


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