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Índice1 – A teologia bíblica sobre a pessoa de Jesus Cristo. 1.1 – O personagem Jesus Cristo. 1.2 – Jesus Cristo segundo ele mesmo. 1.3 – A pessoa de Jesus Cristo, segundo Deus, o Pai. 1.4 – Jesus Cristo, segundo seus discípulos. 1.5 – Jesus Cristo, segundo seus inimigos. 1.6 – Jesus Cristo, segundo os demônios. 1.7 – Jesus Cristo na pregação da igreja primitiva. 1.8 – Jesus Cristo na teologia paulina. 1.9 – Jesus Cristo, a sombra e a realidade no livro Aos Hebreus. 1.10 – Jesus Cristo no Apocalipse. 2 – Jesus Cristo como personagem histórico. 2.2 – Dados
sobre a historicidade de Cristo. 3 – O Cristianismo. 3.1 – Uma religião está nascendo. 3.2 – Cristãos ainda no Judaísmo. 3.3 – Rompimento com o Judaísmo. 3.4 – Uma religião para os marginalizados. 3.5 – O “novo nascimento” cristão e sua importância para a mentalidade pagã. 1 - A Teologia Bíblica Sobre a Pessoa de Jesus Cristo1.1 - O personagem Jesus Cristo
Jesus Cristo, para o mundo ocidental, é o personagem histórico mais importante já nascido na terra. Tão importante que o seu nascimento serviu para dividir a história política do ocidente em antes e depois de Cristo. Mesmo o mundo não cristão se vê na contingência de observar, adequando os seus calendários, ao calendário gregoriano, criado para contar a história do mundo cristão ocidental tendo como ponto de partida o nascimento do fundador do Cristianismo. Nascido judeu, na cidade Belém, foi chamado Jesus, nome comum em seu tempo. Ao nome Jesus foram acrescentados os termos Messias e Cristo, que são palavras sinônimas, mas em idiomas diferentes. Messias em hebraico significa Ungido, o mesmo significado da palavra Cristo, em grego. Portanto, Jesus Cristo é o mesmo que Jesus Ungido. Para os primeiros cristãos, Jesus Cristo era o Filho de Deus que se fizera carne para morrer e salvar os homens, oferecendo sua vida em sacrifício expiatório pelos pecados da humanidade. Para os cristãos católicos apostólicos romanos, herdeiros da teologia agostiniana, Cristo é a segunda pessoa da trindade, termo que tenta definir o deus dos cristãos trinitarianos. Para o Islamismo, Cristo foi apenas um grande profeta, ainda que sua grandeza tenha ficado abaixo da importância de Maomé, o fundador do Islã. 1.2 - Cristo Segundo Ele Mesmo
É nas Escrituras Sagradas, na Bíblia, que nós encontramos o relato da vida de Jesus Cristo. O personagem bíblico, Jesus Cristo, aparece no texto sagrado apresentando-se a si mesmo e nas apresentações que fez da sua pessoa, mostrou-se como cumprimento das antigas profecias judaicas referentes ao Messias. No capítulo 4 do evangelho de Marcos, a partir do verso 14, Jesus reivindica para si a obra messiânica predita no livro do profeta Isaías que diz:
Jesus apresentou-se como o Ungido, o enviado por Deus para ser o salvador do mundo. Essa foi a mensagem que Cristo deu de si mesmo: o Unigênito de Deus, enviado por Deus para salvar o mundo. Também foi essa mensagem que os discípulos receberam a incumbência de levar a todo o mundo. Além de apresentar-se como o Ungido/Messias, Cristo surpreendeu os judeus de seu tempo ao afirmar-se Filho de Deus:
Toda vez que Jesus reivindicou para si a condição de Filho de Deus, os judeus presentes, principalmente os representantes do sacerdócio judaico, entenderam a reivindicação no sentido metafísico, o que soava para eles como uma blasfêmia: se Cristo era Filho de Deus, então ele era merecedor da adoração e da submissão de todos os judeus. A maior parte da elite sacerdotal judaica se articulou, insuflou o povo e exigiu com a acusação de Jesus ser um blasfemo, que as autoridades romanas o matassem. Cristo então morreu crucificado, uma penalidade que os romanos reservavam aos traidores. O martírio pela cruz teve origem com o fenícios, passou para os gregos e depois foi largamente praticado pelos romanos. A cruz, uma disposição de duas traves de madeira, tornou-se o símbolo da religião cristã. O que estava relacionado com o sofrimento, morte, traição e derrota, tornou-se símbolo da vida e da vitória. BIBLIOGRAFIA: HURLBUT, Jessé Lyman. História da Igreja Cristã. Belo Horizonte: Editora Vida, 1979. REICKE, Bo. História do tempo do Novo Testamento. São Paulo: Editora Paulus, 1996. 1.3 - A pessoa de Jesus Cristo, segundo Deus, o Pai
De
acordo com a Bíblia, Jesus fora crucificado porque reivindicou para si a
condição de Filho de Deus. Essa reivindicação feita por Cristo soava
aos ouvidos da elite religiosa judaica de seu tempo como uma inaceitável
blasfêmia. Para o pensamento monoteísta judaico era inconcebível
harmonizar a idéia do Deus único com a mensagem que Cristo trazia: Sou
Filho de Deus. Estava claro para o entendimento judaico que, se Jesus
fosse Filho de Deus, isso o colocava na mesma situação do Pai: digno de
receber honra e louvor não só do povo judeu, mas de todo o mundo. “Os
judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa,
mas pela blasfêmia; porque sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”. João
10:33 Os
judeus sempre entenderam a reivindicação de Jesus num sentido metafísico.
Se para eles a expressão “Filho de Deus”, quando aplicada à Cristo,
tivesse apenas um caráter simbólico, literário ou metafórico, não
haveria motivo para acusar Jesus Cristo de blasfêmia, pois os mesmos
judeus sempre se consideraram “filhos de Deus” e isso não era para
eles ofensa a Deus. Jesus quando se dizia Filho de Deus, era num caráter
sobre-humano, além do físico ou do criado. Cristo não era “filho”
criado como o eram os homens de seu tempo e de todos os tempos. Cristo era
o único Filho gerado antes que houvesse o universo e por conseqüência,
o tempo. “Porque,
a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra
vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?”. Hebreus 1:5 Quando
Cristo afirmava ser Filho de Deus, expressava uma verdade absoluta,
verdade que o próprio Pai fez questão que os homens ouvissem ele mesmo
falando. No livro de Mateus estão registradas as palavras com as quais o
Pai testemunhou a respeito de Jesus Cristo: “E
eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me
comprazo”. Mateus 3:17 Jesus
Cristo como Filho de Deus, não filho apenas como força de expressão,
foi a maior verdade que Deus revelou aos homens. Jesus como Filho de Deus
torna compreensível a grandeza do sacrifício do Pai e o amor que o Pai
tem pelas suas criaturas, pois para salvá-las, não negou seu Filho, seu
único Filho. Jesus,
o Filho de Deus, o sacrifício ofertado pelo Pai, é a mensagem central do
Cristianismo e para pregar essa mensagem os primeiros cristãos deram suas
vidas. Além
de que na Bíblia aparece o Pai assumindo a Jesus Cristo como seu Filho
amado, o mesmo Jesus sempre que se referia a Deus, o fazia como se
referindo a seu Pai: Na
ressurreição de Lázaro: “Tiraram,
pois, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai,
graças te dou, por me haveres ouvido”. João 11:41 No
Getsêmane: “(...)
Meu Pai, se é possível passe de mim este cálice; todavia, não seja
como eu quero, mas como tu queres”. Mateus 26:39 Na
infância: “E
ele lhes disse: Porque é que me procurais? Não sabeis que me convém
tratar dos negócios do meu Pai?”. Lucas 2:39 Estes
são apenas alguns exemplos de passagens bíblicas nas quais Jesus
explicitamente afirma sua filiação em relação ao Pai. Cristo como
Filho e Deus como Pai é o testemunho que a Bíblia tem para oferecer
sobre a situação de uma em relação à outra, das duas únicas pessoas
divinas. 1.4 – Jesus Cristo, segundo seus discípulos
Pedro, o discípulo designado por Cristo para apascentar o pequeno rebanho cristão que se formava, ao responder uma pergunta de Jesus sobre quem os homens diziam ele ser, inspirado pelo espírito de Deus, ofererceu verdadeiro testemunho sobre a relação entre Cristo e Deus. Cristo havia perguntado: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”. Mateus 16:13 Os homens não inspirados pelo Pai, diziam que Cristo poderia ser ou Elias, ou João Batista, ou Jeremias, ou ainda qualquer um outro profeta que havia ressuscitado. Pedro, o discípulo que iria negar Cristo mais no futuro, deu, inspirado por Deus, a resposta que é a crença mais importante do Cristianismo: Jesus Cristo, o personagem histórico nascido em Belém, não é apenas um simples ser humano, é antes de tudo, o Filho de Deus, o Verbo feito carne. “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Mateus 16:16 Pedro, durante toda sua vida pregou com vigor a mensagem que pela iluminação de Deus havia compreendido: Cristo, Filho de Deus. “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido”. II Pedro 1:16 e 17 Além de Pedro, também João, o discípulo amado repete o testemunho: Cristo, Filho de Deus. “Jesus pois operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais vida em seu nome”. João 20:30 e 31 João amou e transmitiu para a posteridade a mensagem que ouvira do próprio Cristo: Sou Filho de Deus. Esse discípulo de Cristo ainda afirmava que é pela presença de Deus no coração do homem que este pode confessar que Cristo é o Filho de Deus. “E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus”. I João 4:14 e 15 Cristo como Filho de Deus e salvador do mundo foi a mensagem que os discípulos pregaram em seu tempo e por causa dessa mensagem foram perseguidos e considerados blasfemos. 1.5
- Jesus Cristo, Segundo Seus Inimigos
Uma
terrível dúvida corroia os líderes judaicos do tempo de Jesus: o
Homem de Nazaré era ou não era o Filho de Deus? Muitos outros antes de
Jesus se auto-proclamaram ser o Messias e todos eles não passaram de
impostores desmascarados com o passar do tempo. Jesus Cristo, no entanto,
os confundia: dizia ser o Messias, o libertador, mas não tomava nenhuma
atitude em relação a chamar para si o direito de se tornar rei temporal
sobre Israel. Muito pelo contrário, se dizia rei de um outro reino, um
reino espiritual. Dizia que viera libertar o seu povo, mas concordava com
o pagamento dos tributos cobrados pelos representantes de César. Que
Messias era este que afirmava ter encontrado maior expressão de fé em um
romano, soldado do império invasor do que em qualquer judeu que dizia
aguardar o Messias prometido? Que Messias era esse que atraía multidões
e quando lhe foi oferecido uma coroa, a recusou? Que Messias era esse,
amigo dos publicanos e pecadores, perdoador de prostitutas, companheiro de
humildes pescadores e que mantinha boas relações com samaritanos,
gregos, romanos, crianças, cegos, aleijados e toda sorte de
marginalizados? Jesus Cristo confundia a cabeça da liderança judaica de
seu tempo; as atitudes dele não correspondiam em nada às expectativas da
elite judaica sobre o Messias. Para
os líderes do Judaísmo, Jesus era um pervertedor da nação. Depois que
prenderam a Jesus, o levaram diante de Pilatos e o acusaram: “E
começaram a acusá-lo, dizendo: Havemos achado este, pervertendo a nossa
nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é
Cristo, o rei”. Lucas 23:2 Cristo
era considerado uma ameaça pela liderança espiritual judaica. Temiam
perder a influência religiosa sobre o povo e os privilégios garantidos
pelo poder invasor, o Império Romano. Porém, o principal motivo que
levou o líderes judaicos a exigirem que Pilatos mandasse crucificar
Jesus, foi o fato de se apresentar como Filho de Deus. “Responderam-lhe
os judeus: Nós temos uma lei, e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque
se fez Filho de Deus”. João 19:7 Esse
foi o crime digno de morte que, segundo os líderes religiosos judaicos
daquela época, Jesus tinha cometido. Eles haviam acusado Jesus de fazer
milagres pelo poder do diabo, mas não o podiam matar por isso. Haviam
acusado Jesus de enganar o povo, mas não o podiam matar por isso. Haviam
acusado Jesus de transgredir a lei, mas não o podiam matar por isso; mas
quando entenderam que Jesus reivindicou a condição de Filho de Deus, os
líderes religiosos o condenaram a morte. Segundo seus inimigos humanos,
Jesus era impostor, endemoniado, pervertedor do povo, inimigo da nação,
quebrantador da lei e por último, blasfemo. “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. João 1:11. 1.6
– Jesus Cristo, segundo os demônios.
Mateus
e Lucas, autores dos evangelhos que levam seus nomes, escreveram sobre a
tentação que Jesus Cristo sofrera no deserto logo após seu batismo por
João. É curioso que a tentação tenha ocorrido logo em seguida ao
batismo, depois de ser ouvida a voz de Deus que dissera: “Este
é meu Filho amado, em quem me comprazo”. Mateus 3:17 Evidentemente
Satanás também ouvira a voz de Deus dizendo que Jesus Cristo era seu
Filho. Talvez por não acreditar que aquele homem a quem João batizara
fosse o Filho de Deus, o inimigo procurou arrancar de Cristo uma demonstração
de poder sobrenatural que eliminasse suas dúvidas. Afinal, como profundo
conhecedor das Escrituras, Satanás sabia da promessa feita no passado de
que seria enviado por Deus um salvador para o povo israelita e para o
mundo. No deserto, o inimigo de Jesus Cristo lhe sugere por duas vezes a
mesma dúvida: “Se tu és o Filho de Deus...” Mateus
4:3 e 6. As sugestões que Satanás fizera, pode ser que as tenha
feito para eliminar as dúvidas que ele mesmo tinha em relação à pessoa
de Cristo, dúvida que também os líderes judaicos iriam carregar até
porem um fim na vida de Jesus. Cristo
não aceitou os pedidos de Satanás para a realização de milagres que
confirmassem sua condição de Filho de Deus, deixando claro que o poder
de Deus não poderia ser utilizado como instrumento de prova da sua
messianidade, quando alguém assim imaginasse. Satanás queria um sinal e
nós podemos apenas conjecturar sobre os motivos que levaram o
inimigo a pedir para Cristo um sinal. Também
Herodes pedira a Jesus um sinal: “E Herodes, quando viu a Jesus,
alegrou-se muito; porque havia muito que desejava vê-lo, por ter ouvido
dele muitas coisas; e esperava que lhe veria fazer algum sinal”. Lucas
23:8. Cristo novamente não faz uso do sobrenatural para provar sua
messianidade. Todas as vezes que lhe fora pedido uma manifestação de
poder com este objetivo, não houve a manifestação de poder. Se a dúvida sobre a condição messiânica de Cristo perseguiu os líderes judeus por muito tempo, os demônios logo perceberam quem era o Homem de Nazaré. Um incidente relatado por Mateus, Marcos e Lucas, mostra que se os demônios um dia tivessem tido dúvidas sobre a pessoa de Jesus Cristo, essas dúvidas já estavam no passado. “E, tendo chegado à outra banda, à província dos gergesenos, saíram-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar por aquele caminho. E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós contigo, Jesus Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?”. Mateus 8:28 e 29. Os demônios cedo compreenderam que Jesus Cristo era o Filho de Deus que havia de vir ao mundo e cedo começaram a trabalhar para não deixar os homens também terem essa mesma certeza porque, “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida”. II João 5:12. Os demônios sabem que Jesus Cristo é o Filho de Deus, mas não querem o os homens o saibam ou tenham a mesma certeza que eles têm. 2 – Jesus Cristo como personagem histórico2.1 – Quando Cristo nasceu?Até
hoje, é impossível afirmar uma data exata ou aproximada para o
nascimento de Cristo. Todas as datas em que comemoraram o nascimento de
Jesus Cristo são datas arbitrárias, puras convenções criadas pelos
homens pelos mais variados motivos. Segundo
Mateus, discípulo de Cristo, o nascimento do Senhor se dera “no tempo
de rei Herodes”. Mateus 2:1. Historicamente há consenso de que o rei
Herodes mencionado por Mateus, tenha morrido no mínimo 4 anos antes do
nascimento de Cristo, sendo assim, de fato, Cristo nascera no mínimo 4
anos antes do ano que marca a sua natalidade, o ano 1. Vale observar que
pelo calendário gregoriano, Cristo já nascera com um ano de vida, pois a
contagem do tempo que este calendário faz, não leva em conta o ano 0. Se
fosse usado o ano 0, Cristo faria o primeiro aniversário somente 365 dias
após seu nascimento, e isto já no ano 1. Como ele “nasceu” no ano 1,
depois de 365 dias a história do mundo ocidental já contava com 2 anos
d.C, mas Cristo tinha apenas 1 ano de vida. Antes
de se convencionar que a data do nascimento de Cristo tenha sido o dia 25
de dezembro, outras datas já haviam sido observadas como marcos para o
mesmo evento. O nascimento de Jesus Cristo já fora comemorado em 20 de
maio, 19 de abril, 17 de novembro, 28 e 25 de março e ainda, 6 de
janeiro. Alguns “pais da igreja” arriscaram datar o nascimento de
Cristo: Clemente de Alexandria dizia que Cristo havia nascido no dia 17 de
novembro do ano 3 a.C ; durante o século II, os cristãos orientais
celebravam o natal no dia 6 de janeiro, neste mesmo período, 354 igrejas
ocidentais, inclusive nas igrejas da cidade de Roma, já era celebrado o
natal no dia 25 de dezembro. As igrejas do oriente que se recusaram a
comemorar o natal no dia 25 de dezembro, acusaram suas irmãs ocidentais
de idolatria ao deus sol, porém, no final do século IV, as igrejas
orientais também passaram a comemorar o nascimento de Cristo no dia 25 de
dezembro. O
dia 25 de dezembro era data religiosa no calendário do Mitraísmo, religião
pagã que existia desde os primórdios do Império Romano. Para a religião
mitraísta, no dia 25 era comemorado o “natalis invicti solis”, ou o
aniversário do sol invencível. Portanto, a escolha do dia 25 de dezembro
para marcar o nascimento de Cristo não foi por mera casualidade e sim
como resultado do encontro da mentalidade cristã com a mentalidade pagã.
A escolha do dia 25 de dezembro como data para marcar o nascimento do
Cristo, não foi por acaso e nem por fruto de investigação histórica
que pudesse determinar a data correta; mas a escolha obedecia de maneira
inquestionável, à influência de outras religiões. Vale
ainda lembrar que foi somente no século VI da nossa era, que o mundo
cristão pensou em trocar o antigo Calendário Juliano, que contava a história
do mundo tendo como ponto de partida a fundação de Roma, por um calendário
que contivesse elementos do Cristianismo. Dionísio Exíguo, monge romano,
recebeu autorização papal no sentido de elaborar um calendário que
marcasse a história política do mundo ocidental, não mais a partir da
fundação de Roma e sim, a partir do nascimento de Cristo. Não se sabe
quais estudos Dionísio fez, mas hoje os historiadores são unânimes em
reconhecer o principal erro cometido por Dionísio: Cristo não nasceu no
ano 1; Cristo nasceu pelo menos 4 anos antes, sendo impossível precisar
em qual dia e em qual mês. BIBLIOGRAFIA: ARNHEIM,
Michael. Es Verdadeiro El Cristianismo? Barcelona: Editorial Crítica,
1985. DURANT, Will. A História da Civilização. Rio de Janeiro: Record, vol. III 2.2
– Dados sobre a historicidade de Cristo.
Jesus
Cristo foi realmente um personagem histórico ou um personagem fictício,
fruto do anseio por um mundo melhor, das aflições do coração humano,
do poder imaginativo da mente humana, do medo da morte que sempre
acompanha o homem? Viveu o homem Jesus Cristo durante um tempo na terra
entre os seres humanos, ou ele é apenas um mito, produto da imaginação
humana? Jesus Cristo existiu de fato? Existem provas para a existência de
Cristo, provas históricas? Nos
escritos conhecidos como Antiguidades Judaicas, de autoria de Flávio
Josefo, historiador judeu que viveu por volta do ano 60 d.C, ocorre a mais
antiga referência em escritos não cristãos sobre a pessoa de Cristo. “Nesse
tempo viveu Jesus, um homem santo, se homem pode ser chamado, porque fez
coisas admiráveis, e ensinou aos homens, e alegremente recebeu a verdade.
Era seguido por muitos judeus e muitos gregos. Foi o Messias”.
(Durant, Will). É muito provável que este suposto mais antigo testemunho
da historicidade de Jesus Cristo, tenha sido acrescentado muito
posteriormente aos escritos conhecidos como Antiguidades Judaicas. Existem
sérias razões para se duvidar da autenticidade do suposto testemunho de
Flávio Josefo entre as quais, a
– Josefo era um autor que procurava sempre agradar tanto judeus como
romanos e por isso, dificilmente iria enaltecer um personagem que ao mesmo
tempo era odiado tanto por romanos quanto por judeus que estavam em guerra
contra o Cristianismo naquele tempo, b
– Flávio Josefo nunca se tornou cristão, mesmo supostamente tendo dado
testemunho da messianidade de Cristo, c
– Nas mais antigas cópias da obra de Flávio Josefo o suposto
testemunho está ausente. Mesmo
que o “testemunho” de Flávio Josefo não seja autentico, outras menções
de Cristo são feitas na literatura pagã da antiguidade. “A mais
antiga menção de Cristo na literatura pagã temo-la em Plínio, o Moço,
na carta que pede o parecer de Trajano sobre o tratamento a ser dado aos
cristãos.(...) Cinco anos mais tarde, Tácito descreve a perseguição
dos chrestiani em Roma feita por Nero, e pinta-os como já numerosos em
todo o Império. (...) Suetônio refere-se à mesma perseguição, e conta
o banimento, no tempo de Cláudio, dos judeus que, ‘agitados por Cristo
(impulsore Crhesto), estavam causando perturbações públicas’”. (Durant,
Will). Segundo Will Durant, historiador norte-americano, “estas referências provam mais a existência de cristãos do que de Cristo; mas a não ser que admitamos Cristo, somos levados à improvável hipótese de que Jesus foi inventado em uma geração; além disso, temos que supor que para merecer a atenção de um decreto imperial a comunidade cristã em Roma tinha de se ter estabelecida alguns anos antes de 52. Lá pelo meio do século I, um pagão de nome Thallus, em um fragmento preservado por Júlio Africano, opina que a estranha escuridão que acompanhou a morte de Cristo fora um fenômeno puramente natural e uma coincidência; de nenhum modo o argumento põe em dúvida a existência de Cristo. A negação dessa existência parece não ter ocorrido nem mesmo aos mais severos oponentes do novo credo, judeus ou pagãos”.
Responsável por esta seção: Elpídio da Cruz Silva Esta seção é atualizada periodicamente. Click here to add this page to your favorites
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